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“Perdas Necessárias”

12-05-2008 |

Num artigo passado discutimos sobre o luto, ou as diversas fases transcorridas ao nos depararmos com a perda de alguém que amamos muito, ou quando se torna imprescindível para um doente terminal enfrentar a sua caminhada inevitável até a sua morte. Também se faz necessário passar por tudo isto a um doente crônico no intuito de que se faça ocorrer a aceitação de sua nova, temerosa e desconhecida doença, como pode ser observado ao se iniciar, por exemplo, com a doença<i> diabetes mellitus.</i> Situação idêntica talvez aconteça a cada um de nós, através das mudanças emocionais ou sentimentais necessárias para com as nossas coisas ou para com coisas do outro que amamos. Como bem nos salienta Drummond em seu sábio poema, <i>A hora do Cansaço</i>, “As coisas que amamos, as pessoas que amamos, são eternas até certo ponto. (…) Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário, de aspirar a resina do eterno. (…) do sonho de eterno fica esse gosto acre na boca ou na mente, sei lá, talvez, no ar.”

É necessário revermos a própria vida para melhorarmos física e mentalmente e para melhor poder aproveitá-la com saúde e mais alegria. Muitas vezes temos que passar por momentos depressivos e encarar situações que nos pareciam cômodas, fossem elas, aparentemente eternas e necessárias para o nosso casamento, ou para um estilo de alimentação antigo que nos parecia o unicamente prazeroso. Mas já não podíamos mais tolerar aquele determinado comportamento do nosso conjugue, ou aquele alimento que nos era o unicamente saboroso. Mas depois desse sentimento de perda, ou de depressão, surge o “amanhecer”. E assim, aceitando esse novo e necessário estágio de vida, esta nova condição de relação com outro e com o nosso novo eu, é que poderemos sentir novamente a felicidade.

É como se grande parte de nós também tivesse morrido para renascer diferente, restabelecido, com suas novas marcas, cicatrizes. Como bem especificou Judith Viorst em seu precioso livro <i>Perdas necessárias, “…em cada dor, em cada mudança do nosso corpo, em cada diminuição da nossa capacidade vemos indicações da nossa mortalidade. E vendo o declínio sutil, ou não sutil dos nossos pais, entendemos que estamos prestes a perder o escudo que nos separa da morte…”.</i> Esta morte não necessariamente tem a ver com o fim do nosso físico ou com o fim do outro que amamos, mas sim, simbolicamente, com o fim do que nos fazia mal ou nos fazia sofrer. Sofrendo, conseguimos dar marcha a fases diferentes das nossas vidas e assim nos apoderar da intenção de vivermos melhor, não só para conosco, mas para com outro que também queremos e podemos fazer feliz.

Fonte: José O. Cervantes Loli
Médico Endocrinologista e Metabologista. Membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). Membro da ABMP (Associação Brasileira de Medicina Psicossomática-SP).

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